Agência Lusa
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Historiador afirma que Putin tem plano de fome para vencer guerra e desestabilizar Europa

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O historiador americano Timothy Snyder fez um alerta para o novo estágio de colonialismo e o mais recente capítulo da política da fome num extenso tópico publicado no sábado, 11, no Twitter, que tratou da guerra entre Rússia e Ucrânia.
“A Rússia tem um plano de fome. Vladimir Putin está se preparando para matar de fome grande parte do mundo em desenvolvimento como o próximo estágio de sua guerra na Europa”, afirmou o professor de Yale, especializado em Europa Central e Oriental.

Segundo Timothy Snyder, há três níveis na estratégia de Putin para matar asiáticos e africanos de fome e vencer a guerra na Ucrânia: destruir o estado ucraniano, cortando suas exportações, gerar uma onda de refugiados do Norte da África e do Oriente Médio, regiões que são alimentadas pela Ucrânia, o que causaria instabilidade na União Europeia e desencadear uma campanha de propaganda russa para responsabilizar o país invadido pela fome mundial.

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“Quando os distúrbios começarem e a fome se espalhar, a propaganda russa culpará a Ucrânia e exigirá que os ganhos territoriais da Rússia na Ucrânia sejam reconhecidos e que todas as sanções sejam levantadas”, prevê o historiador.

No ranking mundial, a Ucrânia aparece como o quinto maior exportador de trigo, o quarto maior de milho e o maior de óleo de girassol. O bloqueio do porto em Odessa pela Rússia, assim como a destruição de silos e equipamentos agrícolas, vêm impedindo a exportação da safra, destinada, sobretudo, a países da África e do Oriente Médio.

O controle da agricultura ucraniana, para provocar o que o historiador Snyder chamou de horror da fome, encontra paralelos em ações patrocinadas por Josef Stalin e Adolf Hitler. Ele observa que o ditador nazista desejava redirecionar os grãos ucranianos da União Soviética para a Alemanha, na esperança de matar de fome milhões de cidadãos soviéticos. Já a agricultura coletivizada promovida pelo ditador soviético matou cerca de quatro milhões de ucranianos, que acabaram sendo responsabilizados pela campanha de propaganda russa.

A escassez de alimentos parece servir a Putin como tática de guerra.

“A política de memória russa preparou o caminho para um plano de fome do século 21. Dizem aos russos que a fome de Stalin foi um acidente e que os ucranianos são nazistas. Isso faz com que roubo e bloqueio pareçam aceitáveis”, escreveu Timothy Snyder.

As projeções são semelhantes as traçadas no mês passado pelo diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas, David Beasley, durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, e mais recentemente no Fórum Mundial de Davos. Segundo ele, a guerra na Ucrânia desencadeou a maior crise humanitária desde a Segunda Guerra com 325 milhões de pessoas correndo o risco de passar fome como resultado e se somando aos 43 milhões de pessoas que já enfrentam o problema.

“A não abertura dos portos na região de Odessa será uma declaração de guerra à segurança alimentar global. E resultará em fome, desestabilização e migração em massa em todo o mundo”, advertiu.

A pressão de Putin começa a funcionar. No início do mês, o chefe da União Africana, Macky Sall, correu para a Rússia e apelou ao presidente para facilitar a exportação de cereais e fertilizantes, já que 40% do trigo consumido pela África vêm da Rússia e da Ucrânia.

“Os países africanos são vítimas inocentes da guerra na Ucrânia, e a Rússia deve ajudar a aliviar seu sofrimento”, afirmou.

Com informações do G1

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