Foto: reprodução @oliveiradenii
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Acompanhante denuncia violência obstétrica sofrida por grávida em maternidade de Belém

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A enfermeira obstetra e acompanhante de parto Deni Oliveira usou as redes sociais para relatar a violência obstétrica que presenciou enquanto acompanhava o parto de uma gestante em uma maternidade particular de Belém, nessa segunda-feira, 27. A profissional contou que denunciou o caso ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA). (Veja o relato completo no final da matéria)

Deni contou seu olhar como acompanhante. “Letícia, grávida de 37 semanas e 4 dias, teve sua bolsa rompida no dia 23 por volta das 13:00h sem contrações doloridas e ritmadas, arrumou as coisas e procurou uma maternidade de referência na capital, só não sabíamos que seria referência em violência psicológica e que viveríamos uma noite de pesadelo.

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Segundo Deni, a gestante deixou claro para os profissionais da maternidade que queria esperar para que o corpo entrasse em trabalho de parto sozinho, sem indução, mas que foi questionada. “Na primeira gestação ela foi induzida e não achou a experiência tão boa. Foi questionado seu desejo, e diante de sua firmeza, aceitaram com a ideia que na próxima avaliação colocariam a indução… ela, que estava tendo contrações, todas às vezes que via um profissional, ficava travada, já que estava sendo afetada psicologicamente pela pressão sofrida”, contou a enfermeira.

Ainda de acordo com ela, Letícia não teve alterações durante o pré-natal. “Streptococcus negativo, todos os exames perfeitos, entre outros que justificavam a gestação mais saudável possível, alguns protocolos diz: pode- se esperar até 48 h de bolsa rota, com início de antibiótico após 18 h para evitar possíveis infecções”, mas mesmo assim foi iniciado indução com misoprostol.

“A violência psicológica se dava quando todos diziam ser o melhor (para encurtar o processo, palavra dos profissionais) após isso, não era verificado BCF (Batimento Cardíaco Fetal) com frequência, o espaço se dava de 6 em 6 horas e sabemos que dentro desse tempo tudo pode acontecer, e que antes de cada medicação de misoprostol deve-se avaliar a vitalidade do bebê através do exame de cardiotocografia, que não foi realizado.”

Ainda segundo o relato da enfermeira, os profissionais agiam com grosseria. “Ao serem questionados, sempre muito ríspidos. Após o exame, uma enfermeira do noturno (que foi identificada na minha denúncia ao MP) veio administrar o comprimido via vaginal e, com muita grosseria, machucou, e mesmo a paciente referindo que estava machucando, ela não parou e apenas empurrou de maneira grossa, e quando questionado quanto a dilatação, ela respondeu: ‘quem vê é o médico’. Daí começou o pesadelo”, relatou.

Deni finalizou o desabafo dizendo que chorou ao escrever tudo o que aconteceu. “Ana Letícia sofreu violência física, psicológica, negligência, maus tratos entre outros, e eu escrevo isso chorando por saber que temos muito o que avançar como mulheres, profissionais e seres humanos! Não nos calaremos. Realizei denúncia por violência obstétrica nos órgãos competentes e não irei me calar para que menos mulheres passem por isso, para essas pessoas tomem consciência que cuidar da vida do outro vale muito… todos os dias somos violentadas, desacreditadas, e nossos corpos são desrespeitados… e a sociedade normaliza isso, mulheres normalizam isso… mas eu curo minhas feridas lutando para ter voz e da voz a todas nós”, concluiu.

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) informou, por meio de nota, que a Ouvidoria do MPPA recebeu um pedido de providências sobre esse caso, por meio do Disque 100,  na manhã desta quarta-feira, 29 de novembro. O pedido relatando os fatos foi encaminhado à Coordenadoria Criminal.

O caso será agora distribuído e enviado a uma das Promotorias de Justiça Criminais com atribuição para atender a demanda da manifestante.

Indignação

O relato indignou e emocionou muitas pessoas nas redes sociais, algumas mães – que também já passaram por situações parecidas – contaram suas experiências. “Que agonia e desespero ler esse relato! Nenhuma mulher merece passar por isso”, comentou uma pessoa. “De cortar o coração. Parabéns pela coragem das duas”, comentou outra seguidora. Outra escreveu: “Meu Deus, imagino o horror que essa mãezinha passou, Não consigo entender e muito menos aceitar o comportamento de certos profissionais…”

Veja o relato completo:

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