ESPECIAL: o desafio de equilibrar margem de lucro e custos de manutenção em Altamira, no Pará; assista

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No segundo episódio da série ‘Não paramos: os impactos da Covid-19 na vida de quem não pôde parar’, chegamos em Altamira, sudoeste paraense, para conhecer a história de José Gomes, Luiz Cardoso e Francisco Souza, três gerações de mototaxistas que tiveram o desafio de tentar equilibrar a margem de lucro e os custos de manutenção da atividade de mototaxista durante e após o lockdown, tudo vivendo na sexta cidade do Pará com mais casos de covid-19. No entanto, as dificuldades impostas pela pandemia foram mais uma etapa dos desafios que esses profissionais já estavam enfrentando.

Desafios que permanecem e ocultação de benefícios

Assim como os mototaxistas, os agricultores e feirantes da região contam que as dificuldades já se somavam antes da pandemia, é o que diz Dulcilene Farias, que tem 47 anos de idade e há 20 trabalha na Feira do Produtor Rural Joana Amaral Góes, no centro de Altamira. A feirante explica que a pandemia agravou os desafios gerados pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, ocorrida entre de junho de 2011 e novembro de 2019.

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“Antes da barragem tinha mais movimento porque era aqui o centro, as pessoas que tinha ficava mais no centro porque depois foram afastadas. Fizeram outras casas, tiraram o pessoal daqui e botaram pra longe, né? Aí assim, não tem como as pessoas vir na feira, porque já foram tiradas daqui dos arredores e ficou muito longe. As pessoas que eram daqui do centro foram tiradas e colocadas em lugares mais distantes, quase retiradas pra fora da cidade”, diz.

Dulcilene cita que além da queda acentuada de circulação de pessoas na feira provocadas pela usina, com a pandemia, em um primeiro momento, todos foram orientados a voltar para casa, momento em que as dificuldades financeiras foram agravadas: “Aí começaram a dar alguns benefícios né? O Auxílio Emergencial, esse eu recebi. Um aqui do estado, que algumas pessoas receberam e um que é do município, né? Mas esse do município, nós feirante, não recebemos, mesmo o pessoal falando que a gente tinha direito”. A feirante se refere ao auxílio emergencial municipal, no valor de R$ 900. Anunciado em julho de 2020 pela prefeitura de Altamira, o benefício alcançaria 2.200 famílias.

Ela cita que embora tenham oferecido diversos benefícios, muitos não contemplaram a categoria, que passou por dificuldades: “Teve muita gente que na época se endividou e ainda tem gente endividada. Teve gente que tentou manter a produçãoou até escoar melhor, mas acabaram se atrapalhando até porque teve muito impedimento na época”, diz. Dulcilene, que mora com quatro pessoas, conta que “Ajudo o que posso na minha casa porque meu marido é aposentado, mas tu sabe que aposentadoria é muito fraca, né? Aí você tem gás, você tem energia, você tem que comer, então um salário, um salário não dá pra manter uma casa e eu ajudo com as conta de casa trabalhando assim, aqui na feira” diz. Ela destaca também que “Se pagassem o que dizem que a gente tem direito, mas nunca deram nem um real, seria ótimo”, conta.

Ao conversar com outros feirantes no local, onde circulam pelo menos mil pessoas diariamente, não encontramos pessoas que foram beneficiadas pelo auxílio municipal, embora o anúncio oficial declare que feirantes foram contemplados. Ao ser procurada pela reportagem, a prefeitura de Altamira não se pronunciou sobre o caso.

Perspectivas

Somadas as dificuldades, a feirante diz que as vezes a esperança acaba, mas faz o possível para não desanimar e voltar a ter planos. No futuro pós-pandemia e pós-Belo Monte, Dulcilene confessa que “Não tenho bem certeza do que pode mudar, mas tô na expectativa que melhore porque a mercadoria tá muito cara, você compra mercadoria cara e você quase não ganha nada porque também você não pode vender muito caro, né?. Então se a os alimento viessem mais em conta pra nós, a gente poderia ganhar um pouquinho a mais, né? Ajudando quem planta, também ajuda quem vende e até quem compra, melhora para todo mundo”, finaliza.

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A série ‘Não paramos: os impactos da Covid-19 na vida de quem não pôde parar’ foi criada e produzida pela jornalista Tereza Coelho com apoio do International Center for Journalists (ICFJ), Meta Journalism Project e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) disponível com exclusividade no Portal Roma News

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