Foto: Rafaela Kennedy
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Músico trans da Amazônia, Flor de Mururé, lança o disco CROA, um manifesto de fé e resistência LGBTQIA+

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Todo batuque é uma forma de oração. Em CROA, primeiro disco de Flor de Mururé, a força do tambor também é um manifesto de resistência. Artista transgênero da Amazônia, Flor faz da arte e da fé seu principal instrumento de sobrevivência no país mais transfóbico do mundo. “Eu nunca tinha visto um homem trans no palco. Então quis ser a minha própria referência. Pra mim, o que importa é nosso corpo-território vivo”, diz Flor de Mururé. CROA chega às plataformas digitais no dia 24 de maio. O projeto tem patrocínio da Natura Musical e do Governo do Estado via Lei Semear e Fundação Cultural do Pará, com produção executiva da Psica Produções.

CROA já nasce um marco: o disco é, até onde se tem registro, o primeiro trabalho gravado e lançado por uma pessoa trans no norte do Brasil, com recursos e estrutura necessários para se criar uma grande obra da música popular brasileira. Em CROA, Flor traz, de forma única, suas vivências como homem trans e a relação de afeto, cura e aquilombamento de corpos dissidentes através das religiões de matrizes africanas e originárias, que celebram orixás, voduns, guias e caboclos.

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CROA faz da música uma oferenda, viaja a diversos terreiros, sobretudo no Pará e Maranhão, e traz a forte percussão do Tambor de Mina para o centro do palco. Irmãos em espiritualidade e sonoridades, os estados se reconectam no disco de Flor. O trabalho, que tem registros em áudio de cerimônias religiosas do Pará e do Maranhão e participações ilustres como Tiganá Santana, Grupo Bongar, Trio Manari e coral de vozes de artistas trans, traz sete faixas com um olhar único para a cultura popular e religiosa da Amazônia.

Como manifesto LGBTQIA+, CROA traz diversas artistas trans que fazem parte do disco: Anastácia Marshelly, Valesca Minaj, Mulambra, Rafaela Kennedy, Rafaela Cardoso, Iris da Selva, Borblue e Bella pra Jesus são alguns dos talentos do projeto, desde concepção, identidade visual ao coral. “São mais de dez artistas trans. E eu quero incluir mais ainda pessoas trans, pra que o mundo nos conheça”, diz Flor.

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