Para Especialista do IEEE, Inteligência Artificial na exploração espacial impulsiona a evolução de diferentes tecnologias na Terra

COMPARTILHAR:
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram

Terraformação (a modificação da atmosfera, da temperatura, da topografia e ecologia de um planeta ou um satélite natural para deixá-lo em condições de sustentar um ecossistema com seres da Terra), incremento de novos materiais e produção de complexos de propulsão são alguns dos avanços da nova era da exploração espacial, na avaliação do Cientista da Computação e Professor universitário Fernando Buarque de Lima Neto, membro sênior do Instituto dos Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE), a maior organização profissional técnica do mundo dedicada ao avanço da tecnologia para a humanidade. Para o especialista, o New Space é a grande fronteira da ciência e a Inteligência Artificial (IA) – campo que estuda e desenvolve sistemas e máquinas para realizar atividades humanas – é uma das áreas mais relevantes na atualidade.

“A exploração espacial está promovendo um acentuado avanço na ciência, particularmente na pesquisa de novos materiais e processos. E a IA é utilizada em todas as cadeias. Sem ela é impossível seguir adiante. Por exemplo, a aplicação de um modelo bioquímico no espaço é totalmente diferente de ser feito na Terra. Isso abre caminho para a elaboração de novos medicamentos e tratamentos. Os desafios no espaço levam à resolução de problemas complexos, nos beneficiando”, afirma Buarque.

CONTINUE LENDO...

Na recente corrida espacial um dos principais objetivos é tornar realidade o conceito de terraformação. Buarque acredita que isso será concretizado, porém ainda há um longo caminho a percorrer. “Podemos pensar em terraformação, mas considerando diferentes conjunturas. Aqui precisamos lembrar a Pirâmide de Maslow, conceito criado pelo psicólogo americano Abraham H. Maslow. Ele diz quais são as condições para que cada ser humano atinja a sua satisfação pessoal e profissional. Na base da pirâmide, que tem cinco níveis, estão elementos essenciais para a sobrevivência, como comida, água. E muitos países ainda nem saíram desse ponto”, comenta Buarque, professor associado da Universidade de Pernambuco (UPE) na Escola Politécnica de Pernambuco-POLI.

Além disso, investir em pesquisas para viagens a Marte traz mais vantagens do que retornar à Lua, porque os problemas são mais complexos nessa aventura e isso fomenta a ciência, reitera o professor. Mas enfatiza que para ir cada vez mais distante fora da Terra é imprescindível haver uma maior colaboração e não competição entre governos e cientistas de diversos continentes.

Ele comenta que com a computação quântica, indispensável para viagens espaciais mais complexas, vamos viver a 5ª revolução (industrial), que será de disrupção para a humanidade. E o que for desenvolvido no espaço nos próximos anos trará enormes benefícios para a vida na Terra. Para Buarque, a grande questão humana ainda é descobrir como funciona o nosso cérebro, como declarou a neurocientista britânica Susan Greenfield. Podemos construir uma espaçonave para viajar a quilômetros de distância da Terra, mas ainda não entendemos completamente como o nosso cérebro funciona.

E acrescenta que os cientistas não podem focar apenas em buscar a excelência em programas e projetos. “Temos que ser relevantes. Uma reflexão: não adianta ficar lançando constelação de satélites sem antes melhorar e disseminar. O primordial é melhorar o processamento, a computação dos dados, usando por exemplo modelos heurísticos, e compartilhar essas informações”, sublinha.

Na visão de Buarque, o Brasil tem uma ótima infraestrutura com entidades de fomento à pesquisa e recursos humanos excelentes para participar da nova corrida espacial, mas o sistema brasileiro ainda não descobriu a inovação.

Sobre o IEEE
O IEEE é a maior organização profissional técnica do mundo dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade. Seus membros inspiram uma comunidade global a inovar para um futuro melhor por meio de seus mais de 420.000 membros em mais de 160 países. Suas publicações, conferências, padrões de tecnologia e atividades profissionais são recomendadas por diversos especialistas. O IEEE é a fonte confiável para informações de engenharia, computação e tecnologia em todo o mundo.

VER MAIS

VER MAIS