Foto: Monique Leão.
Foto: Monique Leão.

Conheça o único Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens localizado no Pará

COMPARTILHAR:
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram

Em 2013 o dia 03 de março foi definido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o “Dia Mundial da Vida Selvagem”, através da resolução ONU 68/205. A data é uma uma homenagem à assinatura da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas, que ocorreu em 1973 e tem como objetivo comemorar a multiplicidade de espécies, mas também o papel importante de alertar sobre os perigos que ameaçam a fauna e flora silvestre.

O antigo Ambulatório de Animais Selvagens, inaugurado em 2012, dentro da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) passou em 2021 para a categoria de Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens (CETRAS), através de adequações feitas no espaço para atender a resolução de nº489/2018 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAM), tornando-se assim o primeiro CETRAS do Pará.

CONTINUE LENDO...

O Centro recebe animais selvagens que chegam encaminhados de diversos órgãos ambientais, como a Secretaria de Meio Ambiente de Belém (SEMMA), a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (SEMAS), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Batalhão de Policia Ambiental da PMPA e a Divisão Especializada em Meio Ambiente e Proteção Animal (Demapa).

Origem dos animais

A médica veterinária e coordenadora do CETRAS, Ana Sílvia Sardinha Ribeiro, conta que esses animais são recolhidos de perímetros urbanos e normalmente chegam até o espaço por algum acidente ocorrido através da interação deles com os seres humanos, ou resgatados de situações de cativeiro e maus-tratos.

Ela ressalta que a maior causa que faz os animais serem levados ao centro são acidentes ocorridos com espelhos instalados nas faixadas de prédios. “Os prédios de Belém e região estão sendo todos espelhados. E isso aumentou muito o número de acidentes. A gente ainda não fez essa estatística, mas há quatro semanas seguidas vem chegando gaviões aqui que deram de encontro com espelhos. Então coruja, gavião, passeriformes são grupos que estão tendo acidente com esses vidros espelhados. O principal problema que os animais entram aqui se não é neonato (recém nascido), porque a mãe foi morta, são desses acidentes”.

Sílvia Ribeiro conta ainda que as aves correspondem a um percentual entre 60 a 70% dos atendimentos realizados no espaço.

Abandono e maus-tratos

Uma situação relatada pela coordenadora é o aumento de abandonos no período de férias e fim de ano. Ela lembra a importância de trabalhar a conscientização da população para combater essa situação. “Final do ano também é um período de bastante entrega. ‘Ah vou sair de férias, vou viajar, passear, acabou o amor’ entregam no órgão ambiental os animais. É isso que falo para eles, os órgãos ambientais só recebem a entrega voluntária desses animais, não há uma educação. Eu acho que nesse dia da fauna selvagem a gente tem que falar disso, ressaltar a importância de implementar ações de educação para a população. Sobre o papel dos animais”, desabafa.

Reabilitação e muito amor

“Aqui a gente luta para a reabilitação total. Se o animal veio de vida livre o foco é reabilitar clinicamente, biologicamente, para devolver para a vida livre. Se o animal veio de cativeiro, a gente vai reabilitar clinicamente para que ele seja encaminhado outro cativeiro através de um órgão ambiental. Para um zoológico ou criadouro conservacionista, que vai poder receber esse animal que não tem chance de soltura, por alguma questão”, explica a coordenadora.

O tempo que os animais passam dentro do CETRAS varia bastante, a médica veterinária relembra que assim como já tiveram animais que passaram apenas um mês em tratamento com a equipe, um caso marcou; trata-se da Frida, um Tamanduá-mirim, que chegou recém nascida e deixou o local com dois anos, pois na época houve uma dificuldade de encontrar um local adequado para destiná-la.

A equipe que trabalha diretamente no atendimento e reabilitação dos animais é formada por alunos da graduação e da residência da UFRA, e também de algumas outras instituições de ensino, dos cursos de Medicina Veterinária, Zootecnia e Biologia, orientados pela coordenadora, além de um tratador.

O espaço

O local conta com um consultório, uma área de quarentena, onde animais recém chegados ficam até realizarem os primeiros atendimentos e exames, o internamento, uma área de pré-soltura, onde eles são preparados para a reintrodução à natureza, uma área para banho de sol, além do setor de nutrição, onde são preparadas e manipuladas as alimentações que são oferecidas aos internados.

O Centro não recebe verba nenhuma específica dentro da Universidade para manutenção do espaço, Sílvia conta que o local é mantido através de parcerias fechadas com órgãos ambientais, projetos e até mesmo com doações pessoais de quem trabalha por lá. “Agora estamos fechando convênios para encaminharem mais recursos. Não é dinheiro direto, e sim material, o alimento, o medicamento. E eu vou atrás de projetos, pois parte do CETRAS hoje é mantida por pessoas físicas”, explica.

A equipe recebe diretamente no espaço doações dos seguintes materiais: esponja, água sanitária, detergente neutro líquido, pano de chão, toalhas, bichinhos de pelúcia, caixas de papelão e leite zero lactose. As instalações ficam dentro da UFRA bem ao lado do Hospital Veterinário. O contato pode ser feito pelo perfil no Instagram do Centro.

VER MAIS

VER MAIS