Valter Campanato/Agência Brasil
Valter Campanato/Agência Brasil

Doria afirma que vai ‘votar nulo’ em possível disputa entre Lula e Bolsonaro

COMPARTILHAR:
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram

João Doria era um dos candidatos cotados para ocupar a liderança da terceira via e fazer frente à polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro nas eleições deste ano. Mas, mesmo com o respaldado da boa gestão que fez no governo de São Paulo e no esforço realizado para a vacinação contra a covid-19, a campanha não foi para frente e ele renunciou à pretensão de chegar ao Palácio do Planalto. Doria anunciou há alguns dias que voltará a atuar no setor privado. Agora, se diz descrente de uma candidatura alternativa.

“Infelizmente, o populismo de esquerda ou de direita vai vencer no Brasil, o que será desastroso para o futuro do país”, afirmou João Doria, em entrevista para a edição deste final de semana da Revista Veja.

CONTINUE LENDO...

Ainda na entrevista, ele disse que, caso Lula e Bolsonaro seguirem para o segundo turno, não vai votar em ninguém. “Pela primeira vez na vida, se isso acontecer, vou anular o meu voto. Nunca votei em branco e nunca anulei. Quero estar em paz com minha consciência”, afirmou.

Além de criticar as posturas e propostas de Lula e de Bolsonaro, Doria fez um balanço de sua frustrada tentativa de encabeçar a chapa presidencial do PSDB e reclamou de ter sido vítima da mesma rejeição que o ex-juiz Sergio Moro sofre hoje dos políticos tradicionais.

“Vejo com dificuldades a terceira via. Não quero fazer prognósticos, nem deixar de ter respeito por Simone Tebet, Luiz Felipe d’Avila, Luciano Bivar, Ciro Gomes e outros candidatos. A bipolarização se fortaleceu de tal forma que, lamentavelmente, o destino do Brasil é ser governado por um populista, de esquerda ou de direita. Lula e Bolsonaro não representam esperança para o Brasil. Infelizmente, nas eleições, vivemos um pêndulo, que sai da extrema esquerda e vai para a extrema direita. Os extremos se tocam nos procedimentos, nas condutas equivocadas, no empoderamento excessivo e nas práticas pouco democráticas” afirmou.

Questionado sobre o futuro do país diante das duas possibilidades existentes, Lula e Bolsonaro, Doria disse que o “Brasil não precisa de ideologia”.

Outro ponto da entrevista foi a liderança de Lula nas pesquisas e a possível reeleição.

“Será o presidente do retrato do atraso. O atraso populista da esquerda que se toca com a extrema direita. É um retrocesso anular políticas como as das privatizações e revisar a lei trabalhista”, afirmou João Doria, que acredita em um golpe ou confusão de Bolsonaro em caso de derrota.

“Infelizmente, sim. Vejo momentos turbulentos pela frente. Bolsonaro não irá aceitar não apenas a derrota, mas também a perspectiva da derrota. Bolsonaro claramente é um golpista, que advoga e abraça o golpe como forma de se perenizar no poder. Ele afronta a Constituição e defende a ditadura. Eu sei o que foi a ditadura: meu pai foi cassado pelo golpe militar de 1964. Eu vivi isso de perto”, comentou.

VER MAIS

VER MAIS