Publicado em 5 de abril de 2025 às 11:14
A rosácea é uma doença inflamatória crônica da pele que afeta principalmente o rosto, caracterizando-se por vermelhidão persistente, vasos sanguíneos dilatados, inchaço e, em alguns casos, lesões semelhantes à acne. Conforme a Sociedade Brasileira de Dermatologia, as causas exatas ainda não são completamente compreendidas, mas acredita-se que fatores genéticos, ambientais e vasculares desempenham um papel importante em seu desenvolvimento. >
A condição é mais comum em mulheres de pele clara, mas também pode afetar homens e outras tonalidades de pele. Os sintomas incluem sensação de queimação, coceira, ardência, sensibilidade excessiva e até formação de pústulas e nódulos. >
Embora não tenha cura, a rosácea pode ser controlada com cuidados específicos e acompanhamento dermatológico. No entanto, um dos maiores desafios para quem convive com a doença é identificar os gatilhos que desencadeiam as crises ou agravam os sintomas. >
“Em pacientes que têm rosácea, qualquer coisa que cause um processo inflamatório, até tomar sol em excesso e fazer uso de medicação mais forte, piora a rosácea e pode favorecer o surgimento de vasinhos na bochecha, da região do malar e do nariz”, explica a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). >
Por isso, conhecer os gatilhos e adotar estratégias para evitá-los é fundamental para reduzir a frequência e a intensidade das manifestações da rosácea. Veja a seguir! >
A exposição direta ao sol é um dos principais gatilhos para a rosácea, pois os raios ultravioletas provocam a dilatação dos vasos sanguíneos e aumentam a inflamação da pele. Essa reação pode desencadear o surgimento de vermelhidão intensa e sensação de queimação, agravando significativamente os sintomas. >
Para se proteger, utilize diariamente um protetor solar de amplo espectro (FPS 30 ou superior), mesmo em dias nublados, e reaplique a cada duas horas ou após transpiração intensa. Além disso, adote medidas de proteção física, como chapéus de aba larga, óculos escuros e roupas que cubram a pele, especialmente nos horários de pico (das 10h às 16h). >
Temperaturas muito altas ou muito baixas também podem desencadear crises de rosácea, pois provocam variações bruscas na microcirculação da pele. O calor intenso pode causar dilatação dos vasos sanguíneos, enquanto o frio extremo pode ressecar e irritar a pele sensível. >
Para evitar crises, mantenha a pele protegida contra variações de temperatura, utilizando cachecóis e hidratação reforçada no frio, além de evitar ambientes superaquecidos no verão. Busque ambientes climatizados e evite mudanças bruscas de temperatura. >
Comidas apimentadas e condimentadas aumentam a temperatura corporal e promovem a vasodilatação, resultando em vermelhidão intensa e sensação de queimação na pele. Pimentas, molhos fortes e temperos como curry e gengibre estão entre os maiores vilões. Para evitar crises, reduza o consumo desses alimentos e observe a reação da sua pele após ingeri-los. >
Café, chá e outras bebidas quentes podem agravar a rosácea, pois elevam a temperatura interna do corpo e promovem a dilatação dos vasos sanguíneos faciais. Isso resulta em vermelhidão acentuada e aumento da sensação de calor no rosto. Uma alternativa é consumir essas bebidas em temperaturas mornas ou frias, especialmente nos dias quentes ou quando os sintomas estão mais intensos. >
O álcool, principalmente o vinho tinto, é um conhecido gatilho para a rosácea devido ao seu efeito vasodilatador. O consumo de bebidas alcoólicas provoca o aumento da circulação sanguínea na face, resultando em rubor e sensação de calor intenso. Para evitar crises, modere ou evite o consumo de álcool, dando preferência a bebidas não alcoólicas ou com baixo teor alcoólico. >
O estresse e a ansiedade são gatilhos significativos para muitas pessoas com rosácea, pois estimulam a liberação de hormônios que aumentam a inflamação e promovem o rubor facial . “O cortisol é o hormônio do estresse e está relacionado à potencialização do estado inflamatório persistente no tecido cutâneo”, afirma a Dra. Mônica Aribi, dermatologista e sócia efetiva da Sociedade Brasileira de Dermatologia. >
Técnicas de manejo do estresse, como meditação, respiração profunda e práticas de relaxamento, podem ajudar a reduzir as crises. Identificar as fontes de estresse e buscar apoio emocional também são passos importantes para o controle da doença. >
Exercícios vigorosos elevam a temperatura corporal e a circulação sanguínea, intensificando a vermelhidão facial. Para minimizar esse efeito, prefira atividades de menor impacto, como caminhadas leves e yoga, e mantenha-se hidratado durante os exercícios. Realizar pausas para resfriar o corpo e escolher ambientes frescos para a prática também são estratégias eficazes. >
Certos produtos de cuidados com a pele contêm ingredientes agressivos, como álcool, fragrâncias e conservantes, que podem irritar a pele sensível e desencadear crises de rosácea. Opte por cosméticos suaves, hipoalergênicos e livres de substâncias irritantes. Antes de introduzir novos produtos na rotina, consulte um dermatologista e faça um teste em uma pequena área da pele para verificar possíveis reações. >
O vapor e a água quente dilatam os vasos sanguíneos, provocando rubor e aumento da inflamação. Para evitar esse efeito, tome banhos mornos e mantenha o tempo de exposição ao calor o mais curto possível. Evitar saunas e ambientes muito quentes também é recomendável. >
Alguns medicamentos, como vasodilatadores e corticosteroides tópicos, podem desencadear ou agravar os sintomas da rosácea. Caso perceba piora com o uso de algum remédio, converse com seu médico sobre possíveis alternativas ou ajustes de dosagem. >