Publicado em 2 de abril de 2025 às 18:14
Tradicionalmente associado a pessoas mais velhas, o acidente vascular cerebral (AVC) tem atingido um novo grupo com frequência preocupante: os jovens adultos. Conforme estudo publicado na revista científica The Lancet Neurology , houve um aumento de 14,8% entre pessoas com menos de 70 anos em todo o mundo. No Brasil, aproximadamente 18% dos casos de AVC ocorrem entre 18 e 45 anos, segundo dados da Rede Brasil AVC. >
Segundo a Dra. Renata Faria, neurocirurgiã e membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), o AVC em jovens é multifatorial, mas alguns comportamentos da vida moderna estão entre os principais vilões. “Estamos vendo um aumento significativo de fatores de risco como sedentarismo, alimentação ultraprocessada, obesidade, uso abusivo de álcool e cigarro, além de um crescimento importante de casos de hipertensão e diabetes em pessoas jovens”, explica. >
O estresse crônico e os distúrbios do sono também fazem parte da lista de possíveis desencadeadores. A exposição prolongada a esses fatores pode causar lesões nos vasos sanguíneos e aumentar o risco de obstruções ou rompimentos — levando ao AVC isquêmico ou hemorrágico. >
Outro ponto de atenção citado pela Dra. Renata Faria é o uso descontrolado de medicamentos e substâncias estimulantes, como drogas recreativas, anabolizantes e até certos tipos de pré-treinos. “Muitos jovens consomem substâncias sem prescrição, que podem causar picos de pressão, arritmias e alterações na coagulação. Isso aumenta o risco de um evento vascular súbito e grave, como o AVC”, alerta a neurocirurgiã. >
Como não se espera que um jovem tenha um AVC, muitos sintomas iniciais são subestimados ou confundidos com outros problemas menos graves. “É fundamental conhecer os sinais: fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar, perda de equilíbrio, visão turva ou dor de cabeça súbita e intensa. Ao menor sinal, procure imediatamente o pronto-socorro”, orienta a especialista. >
A Dra. Renata Faria enfatiza a importância da prevenção do AVC desde a juventude. “Cuidar da alimentação, manter uma rotina de exercícios, fazer check-ups regulares e evitar o excesso de álcool, cigarro e drogas recreativas são atitudes que salvam vidas — literalmente”, afirma. Além disso, é importante que os jovens com histórico familiar de doenças cardiovasculares ou neurológicas fiquem ainda mais atentos, mantendo o acompanhamento médico em dia. >
O aumento nos casos de AVC entre jovens é um sinal claro de que a saúde neurológica não pode mais ser tratada como preocupação exclusiva da terceira idade. “O cérebro jovem também adoece, especialmente quando é exposto a um estilo de vida desequilibrado. A boa notícia é que, com prevenção e informação, podemos reduzir esse número”, finaliza a Dra. Renata Faria. >
Por Sarah Monteiro >