Publicado em 27 de março de 2025 às 17:07
Em projetos atuais, a arquitetura vai além do visual e abraça propostas que transformam o cotidiano. Itens que regulam a entrada de luz, promovem ventilação natural e criam privacidade sem bloquear a conexão com o ambiente externo se tornam cada vez mais valorizados por profissionais e clientes. >
“Brises, cobogós e muxarabis são itens inteligentes que elevam qualquer projeto no que diz respeito à sustentabilidade e funcionalidade. Com o design, considero que todos eles acrescentam um grande apelo visual aliado com a personalidade e o frescor aos locais onde estão inseridos”, explica o arquiteto Raphael Wittmann, à frente do escritório Rawi Arquitetura + Design. >
Para relacionar os diferenciais entre brises, cobogós e muxarabis, o arquiteto compreende que é importante entender como cada um filtra a luz e ventilação de maneiras distintas. Dessa forma, ele analisa as necessidades específicas de conforto, estética e serventia do projeto para, só então, decidir qual especificar. Além disso, os materiais utilizados na composição variam, influenciando diretamente o desempenho e a aplicação ideal em diferentes projetos arquitetônicos. >
A seguir, descubra como incorporar esses elementos de forma estratégica! >
Originários da arquitetura árabe, os muxarabis foram amplamente adotados em regiões como o Norte da África e a Península Ibérica. Trazidos a partir dos portugueses para a arquitetura brasileira, se revelam, originalmente, na forma de gradis ou treliças de madeira , mas também são empregados com outros tipos de materiais na função de criar divisórias ou cumprir o papel de revestimentos ou fechamentos de janelas e varandas. >
“Uma das particularidades mais interessantes do muxarabi é o jogo de luz e privacidade que ele proporciona. Quem está dentro consegue enxergar o exterior, mas quem está fora só consegue visualizar o treliçado”, explica Raphael Wittmann. >
De quartos a varandas, o muxarabi é um queridinho e perfeito para ambientes que precisam de ventilação e luminosidade controladas e flexíveis. Também é comum estar em portas de entrada, de armários, closets , paredes internas e painéis decorativos. >
Amplamente aclamados por sua brasilidade, os cobogós surgiram em nosso país durante o movimento modernista na arquitetura e foram inspirados nos grafismos dos muxarabis. Compostos por peças vazadas de cerâmica, barro, porcelana, concreto, vidro e até madeira, eles funcionam como divisórias, fachadas ou como decoração. >
“Os cobogós entregam jogos de sombras fascinantes, dando um toque de ludicidade aos ambientes. São ideais para locais que precisam de privacidade permanente e controle constante de luz, como corredores e fachadas”, avalia o arquiteto. >
Nascido da mente do arquiteto e urbanista francês Le Corbusier, ainda no século XX, os brises são compostos por lâminas dispostas vertical ou horizontalmente e reverberaram com força na arquitetura contemporânea brasileira como uma solução versátil para fachadas, principalmente corporativas. >
“Podem ser fixos ou móveis e até automatizados, permitindo personalizar a luminosidade e o conforto térmico ao longo do dia. Gosto dos brises nas fachadas com maior exposição ao sol para equilibrar a entrada de luz e calor”, afirma o profissional. >
Embora existam indicações tradicionais de uso para brises, cobogós e muxarabis, Raphael Wittmann explica não haver restrição para que suas atribuições sejam engessadas. Ele exemplifica que um cobogó pode se transformar em uma cabeceira ou balcão de cozinha e os muxarabis se ajustam como portas de armário ou painéis decorativos em salas. >
Além das fachadas, os brises podem integrar pergolados ou até mesmo tetos retráteis. “Tudo depende da funcionalidade desejada, da proposta estética e da personalização que o ambiente requer”, diz ele. A decisão pelo material, por sua vez, varia conforme as necessidades do ambiente e do cliente. “Se o elemento tiver contato com a área externa, priorizo materiais resistentes ao sol e à chuva, como madeiras tratadas ou alumínio”, explica Raphael Wittmann. >
De acordo com o especialista, a posição do sol interfere diretamente na escolha entre brises horizontais ou verticais que garantirão a eficiência máxima. Quando o orçamento comporta, ele indica a automatização de brises ou muxarabis para a articulação, elevando o conforto e a praticidade no dia a dia. >
Por Emilie Guimarães >