Publicado em 3 de abril de 2025 às 22:07
O “tarifaço” anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que pode impactar em 10% o preço das exportações brasileiras ao país da América do Norte provocou reação de entidades de trabalhadores e patronais brasileiras.>
As entidades Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e Pública Central do Servidor divulgaram nota na qual dizem que a sobretaxa imposta aos produtos exportados pelo Brasil terá impactos negativos sobre a produção e o emprego, e elogiam a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional e que, após sancionada, permitirá ao governo brasileiro reagir à medida dos Estados Unidos.>
Em outro trecho da nota, as entidades apontam que “em vez de conter a decadência do império norte-americano, como promete o chefe da Casa Branca, o protecionismo agravará os problemas que afetam a economia mundial, desencadeando uma guerra comercial que pode resultar em uma nova depressão e alimentando o nacionalismo xenófobo”>
As centrais sindicais defendem que o país se “proteja” e se “prepare” para responder à iniciativa unilateral de Trump. “Nesse sentido, em nome da classe trabalhadora brasileira, as centrais sindicais manifestam apoio à Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Senado, que autoriza o governo federal a retaliar países ou blocos que imponham barreiras comerciais a produtos brasileiros”, afirma a nota.>
Por fim, as centrais destacam também que apoiam o fortalecimento da indústria nacional, o incentivo à produtividade e a geração de empregos de qualidade. Além disso, defendem ainda o fortalecimento do BRICS e os tratados internacionais vigentes.>
Indústria>
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) disse que a nova tarifa adotada pelos EUA não é positiva ao Brasil, mas “precisa ser analisada com mais profundidade”.>
“O impacto dependerá de como nossos concorrentes diretos foram tarifados. Se enfrentarem taxas ainda mais altas, pode haver uma vantagem competitiva para o Brasil, já que o custo adicional será repassado ao consumidor americano”, afirma Flávio Roscoe, presidente da FIEMG.>
Agro>
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, afirmou que “o governo americano deveria negociar, conversar, dialogar antes de tomar decisões como essa, porque acaba atrapalhando todo o comércio já estruturado." O dirigente ressaltou que a Organização Mundial do Comércio (OMC) perdeu força e atitudes como essa mexem em toda a balança comercial global.>
“Sabemos que os Estados Unidos têm uma dívida interna muito grande, como muitos outros países, e é um problema que não pode ser trabalhado da noite para o dia, com uma mudança tão radical. Se não houver diálogo, haverá um estrangulamento da economia global”, completou o dirigente.>
Ontem (2), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) também soltou uma manifestação defendendo a necessidade de diálogo para preservar uma relação bilateral histórica e complementar entre o Brasil e Estados Unidos.>
Já a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio), afirmou que a decisão dos Estados Unidos pode se tornar uma oportunidade ao comércio exterior do Brasil. A entidade também aposta no aproveitamento da conjuntura para “fechar acordos bilaterais, diminuir tarifas e facilitar mecanismos aduaneiros”.>