SAF revoluciona o futebol brasileiro: clubes transformam dívidas em títulos

Com investimentos milionários e modelos de gestão profissional, clubes como Botafogo, Cruzeiro e Bahia mostram o impacto da Sociedade Anônima do Futebol.

Publicado em 21 de janeiro de 2025 às 17:12

SAF revoluciona o futebol brasileiro: clubes transformam dívidas em títulos
SAF revoluciona o futebol brasileiro: clubes transformam dívidas em títulos Crédito: Vitor Silva/Botafogo

Nos últimos anos, uma nova era tomou conta do futebol brasileiro: a transformação de clubes em Sociedades Anônimas do Futebol (SAF). O modelo, que atrai investidores e promete sanar dívidas históricas, tem mudado o panorama esportivo do país.

Botafogo, Cruzeiro e Bahia são exemplos de equipes que renasceram dentro e fora dos gramados, conquistando títulos e reconquistando a torcida. Mas será que o modelo é a solução definitiva ou traz riscos que podem comprometer o futuro do futebol?.

O que é a SAF?

A SAF é um modelo jurídico que permite que clubes de futebol se tornem empresas, possibilitando a entrada de investidores que podem adquirir participações acionárias. Essa estrutura busca trazer maior transparência, governança e eficiência na gestão dos clubes.

Clubes que adotaram o modelo SAF

• Botafogo: Em fevereiro de 2022, o empresário americano John Textor adquiriu 90% das ações do Botafogo, comprometendo-se a investir R$ 400 milhões no clube. Sob sua gestão, o clube conquistou o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores em 2024, encerrando um jejum de quase 30 anos sem títulos nacionais.

• Cruzeiro: Em dezembro de 2021, o ex-jogador Ronaldo Nazário comprou 90% da SAF do Cruzeiro, com um aporte de R$ 400 milhões. A iniciativa buscou reestruturar financeiramente o clube e retornar à elite do futebol brasileiro.

• Atlético Mineiro: Em novembro de 2023, o Atlético-MG concluiu a venda de 75% de sua SAF para o Galo Holding, recebendo R$ 913 milhões, dos quais um terço foi destinado ao pagamento de dívidas.

• Bahia: O Grupo City adquiriu 90% da SAF do Bahia em dezembro de 2022, com um compromisso de investimento de R$ 1 bilhão ao longo de 90 anos.

Prós e Contras da transformação em SAF

Vantagens:

• Profissionalização da gestão: A entrada de investidores tende a trazer práticas de governança corporativa mais rígidas e eficientes.

• Aporte financeiro: novos investimentos possibilitam a quitação de dívidas, melhoria na infraestrutura e contratação de jogadores de qualidade.

• Transparência: Como empresas, as SAFs estão sujeitas a regulações que exigem maior transparência financeira e administrativa.

Desvantagens:

• Perda de identidade: há receios de que a transformação em empresa possa afastar os clubes de suas tradições e da proximidade com os torcedores.

• Dependência de investidores: decisões podem ser tomadas com base em interesses financeiros dos acionistas, nem sempre alinhados com os anseios da torcida.

• Riscos financeiros: caso os investimentos não gerem o retorno esperado, os clubes podem enfrentar novas crises financeiras.

Perspectivas Futuras

A adoção do modelo SAF representa uma tentativa de modernizar o futebol brasileiro, tornando-o mais competitivo e sustentável. No entanto, é fundamental haver equilíbrio entre os interesses comerciais e a preservação da essência dos clubes, garantindo que os torcedores continuem a se identificar com suas equipes.

A experiência de clubes como o Botafogo demonstra que, com uma gestão profissional e investimentos adequados, é possível alcançar resultados expressivos em campo e na saúde financeira. Contudo, cada clube possui suas particularidades, e a transição para o modelo SAF deve ser cuidadosamente planejada para evitar riscos e assegurar benefícios a longo prazo.