Publicado em 3 de abril de 2025 às 18:59
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, criticou o governo dos Estados Unidos por elevar o valor das tarifas de importação cobradas de produtos vendidos por parceiros comerciais, incluindo o Brasil.>
Marina participou da 11ª reunião dos ministros de Meio Ambiente do Brics, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes, Etiópia, Indonésia e Irã. O evento aconteceu nesta quinta-feira (3), em Brasília, e logo depois ela concedeu entrevista coletiva.>
Para a ministra, o "tarifaço" de ao menos 10% para produtos estrangeiros, anunciado ontem(2) pelo presidente americano Donald Trump, pode desencadear uma guerra tarifária, com países que fazem negócio com os Estados Unidos adotando medidas parecidas.>
Marina avalia que, além de fomentar um clima de desconfiança entre as nações, o “rompimento com o multilateralismo” representa uma ameaça à cooperação internacional necessária para conter as mudanças climáticas globais.>
“Esse rompimento com o multilateralismo, essas visões unilaterais, são muito negativas e prejudicam muito a cooperação e a ação climática conjunta. Isso esgarça as relações, afasta a cooperação, mina as relações de confiança entre os povos. E o nosso papel é o de reforçar a solidariedade, o apoio, a cooperação e a livre iniciativa no mercado”, disse a ministra, sem citar nominalmente os Estados Unidos e seu presidente.>
Esta semana, o próprio Congresso Nacional brasileiro aprovou o projeto que instituiu a chamada Lei da Reciprocidade Comercial, autorizando o governo brasileiro a adotar medidas comerciais contra países e blocos que imponham barreiras aos produtos do Brasil no mercado global.>
“Essa guerra tarifária não é boa para ninguém”, declarou a ministra. “O país que mais está defendendo este tipo de protecionismo foi um dos que [no passado] mais estimularam que a gente [o mundo] deveria ter uma livre iniciativa, a liberdade de ação no mercado”, comentou Marina ao estabelecer paralelo com conflitos geopolíticos armados, como a invasão da Ucrânia pela Rússia e a disputa entre israelenses e palestinos, no Oriente Médio.>
Segundo Marina Silva, a desconfiança cria situações de insegurança, o que faz com que os países comecem a deslocar recursos que poderiam ser usados no financiamento do combate às mudanças climáticas e da proteção da biodiversidade para investimentos em mais segurança.>
"Nesse momento, na minha opinião, em lugar de estarmos fazendo guerra uns com os outros, seja guerra bélica ou tarifária, deveríamos estar guerreando contra a pobreza, a mudança do clima, a desertificação e a perda de biodiversidade. É isso que está ameaçando nossas vidas e nossos sistemas produtivos, sejam eles industriais ou alimentares”, concluiu a ministra.>